Quem somos
A Rede latino-americana de Ensino-pesquisa e extensão em Soberania e Segurança Alimentar e Nutricional (Rede LASSAN) é uma articulação de pesquisadoras, pesquisadores e atores de SSAN dos países na América Latina e Caribe que consiste numa rede operativa voltada a cooperação acadêmica em assuntos relacionados às políticas de soberania e segurança alimentar (SSAN) e nutricional e de saúde e nutrição.
Atuação
A atuação da Rede LASSAN fundamenta-se nos seguintes princípios orientadores:- Direito Humano à Alimentação Adequada (DHAA)
Reconhecimento do direito à alimentação como um direito universal, inalienável e baseado na dignidade humana. - Soberania Alimentar
Defesa da autodeterminação dos povos para definir seus próprios sistemas alimentares, respeitando cultura, território e biodiversidade. - Ciência cidadã
Compromisso com a produção de conhecimento voltado à transformação social, construído de forma participativa e contextualizada. - Interculturalidade e pluralidade de saberes
Valorização do diálogo entre saberes tradicionais, populares e acadêmicos, promovendo respeito à diversidade cultural. - Sustentabilidade
Adoção de práticas ambientalmente responsáveis, socialmente justas e culturalmente respeitosas. - Equidade e justiça social
Enfrentamento das desigualdades sociais, raciais, de gênero e territoriais. - Participação social
Fortalecimento do protagonismo de sujeitos e coletivos em processos decisórios, especialmente de populações historicamente vulnerabilizadas. - Transparência e corresponsabilidade
Compromisso ético com a clareza das ações e a responsabilidade coletiva frente às questões alimentares e nutricionais. - Promoção da integralidade do cuidado, empoderamento e autonomia
Valorização de ações que favoreçam a autonomia e o empoderamento dos indivíduos e comunidades. - Intersetorialidade e interdisciplinaridade
Integração entre diferentes setores e áreas do conhecimento para ações conjuntas em SSAN. - Integração entre ensino, pesquisa e extensão
Promoção do diálogo entre universidades e comunidades, com foco em práticas transformadoras. - Valorização de sistemas alimentares sustentáveis, inclusivos e agroecológicos
Apoio a sistemas que respeitem o meio ambiente, a diversidade cultural e a segurança alimentar. - Cooperação e diálogo internacional
Estímulo à colaboração entre países e instituições da América Latina, África Lusófona e demais territórios.
Objetivos
A Rede LASSAN tem como objetivos:- Reunir, conectar e consolidar ações de pesquisa, extensão e políticas públicas voltadas à Soberania e à Segurança Alimentar e Nutricional.
- Promover processos formativos emancipatórios, com base na problematização crítica-reflexiva, no pertencimento e na valorização identitária.
- Pesquisar, analisar, acompanhar, avaliar, propor e promover políticas, experiências e outras iniciativas em SSAN.
- Fortalecer redes entre pesquisadores e instituições, promovendo o diálogo de saberes e o respeito à diversidade cultural.
- Desenvolver e difundir tecnologias sociais, promovendo a participação da sociedade civil na produção de conhecimento alinhado às realidades locais, nacionais e continentais.
- Compartilhar estratégias e experiências locais, nacionais e internacionais voltadas à transformação dos sistemas alimentares.
- Promover sistemas alimentares saudáveis e sustentáveis, integrando agricultura, alimentação, nutrição e saúde.
Histórico
A Rede LASSAN é o resultado de ações de indução às redes acadêmicas promovidas pelo Ministério de Ciência, Tecnologia e Inovação do Brasil. Essas ações de indução tiveram início em 2007 por intermédio do Instituto Harpia Harpyia no contexto dos no contexto do Programa de Aceleração do Crescimento/Fundos setoriais. Processo que resultou, em 2010, no projeto “Rede de municípios promotores da segurança alimentar e nutricional sustentável” foi executado entre setembro de 2010 e março de 2013, dando origem à Rede-SANS: Rede de defesa e promoção da alimentação saudável, adequada e solidária (www.redesans.com.br). Referenciado do resultado da Rede-SANS o MCTI, em 2013 celebrou um novo convênio com a UNESP com o objetivo de articular uma rede de pesquisadores da UNASUL associado ao edital 82/2013, que ofereceu apoio a 25 projetos junto ao CNPq para cooperação de pesquisadores brasileiros com países da UNASUL e África. Em 2014 foi lançada a Rede SSAN-UNASUL, articulada pela UNESP, vinculada ao Programa SSAN-UNASUL do Conselho de Ciência, Tecnologia e Inovação da UNASUL. A Rede-SSAN atuou vinculada à UNASUL até maio de 2018, embora a última ação oficial da UNASUL tenha sido a aprovação da FASE II do Programa SSAN-UNASUL, no início de 2016, mas que não se efetivou. O Programa SSAN-UNASUL previa um sistema de governança com pontos focais de governo e dos pesquisadores, cuja secretaria era exercida pelo Brasil. Essa articulação foi intensa enquanto a presidência pro tempore da UNASUL esteve com o Equador.
Proposta de estrutura de governança do Programa SSAN-UNASUL (2014)
Em 2015, quando o Uruguai assumiu essa função, faltou consenso para aprovação do estatuto do programa e implementação da fase II. Mesmo assim, em 2016 o Brasil lançou um segundo edital de projetos de apoio a pesquisadores brasileiros em projetos de cooperação com pesquisadores da UNASUL. O edital 16/2016 aprovou 89 projetos.
Em maio de 2018, no seminário de alinhamento dos projetos do edital 16/2016, foi proposta a mudança do nome da rede SSAN-UNASUL para Rede Latino-americana de Soberania e Segurança Alimentar e Nutricional (Rede-LASSAN), dado que o vínculo havia se perdido e vários países já não faziam mais parte da UNASUL.
Em 2015, ocorreu a aprovação do Convênio para o Centro de Ciência, Tecnologia e Inovação em Soberania e Segurança Alimentar e Nutricional da UNESP, como desdobramento das discussões realizadas no âmbito da UNASUL. A proposta inicial era de se criar um centro para a UNASUL, os debates amadureceram no sentido da criação de uma rede de Centros. Outro desdobramento da Rede SSAN-UNASUL foi a criação da NutriSSAN – Plataforma de Ensino, Pesquisa e Extensão em Soberania e Segurança Alimentar e Nutricional. Essa plataforma foi fomentada pelo MCTI até o ano de 2022, período que operou apoiando a criação e funcionamento dos Grupos de Interesse Especial (SIG). Em 2017 no âmbito da NutriSSAN foi lançado o SIG obesidade, envolvendo Argentina, Brasil, Chile, Colômbia e Equador e que esteve ativo até 2022.
As articulações ocorridas no âmbito dessa rede de pesquisadores geram diversos intercâmbios de estudantes, muitas visitas técnicas de intercâmbio de pesquisadores, eventos organizados pelas universidades, colaboração em programas de pós-graduação e participação em projetos. Hoje a LASSAN não recebe subsídios públicos para o seu funcionamento, mas a cooperação continua em atividades de intercâmbio de estudantes e pesquisadores, participação em projetos e publicações.

